Do Mundo Nada Se Leva: hino ao cinema
- JORGE MARIN

- 23 de nov. de 2018
- 2 min de leitura
Atualizado: 25 de ago. de 2025
Do Mundo Nada se Leva é um hino ao cinema.
Completando oitenta anos, não há nada que o torne mais ingênuo ou desatualizado. Na residência do Vovô Vanderhof convivem pessoas que fazem exatamente o que querem e só o que querem: filhos, netos, genros ou simplesmente pessoas que foram ali jantar e não saíram mais.
Essa família-comunidade anárquica, talvez um prenúncio do que, trinta anos depois, seriam os hippies contrasta fortemente com a outra família da trama, o banqueiro mal-humorado J. P. Kirby que, investindo no projeto de uma fábrica de munição (o filme é pré-Segunda Guerra), necessita comprar um bairro inteiro, mas tem seu investimento frustrado justamente por um morador que teima em não vender sua propriedade: o sr. Vanderhof que preza mais os valores familiares do que qualquer valor em dinheiro.
Mas outra querela faz com que o destino das famílias se cruze: o romance do filho de J. P. e vice-presidente da empresa, Tony, com sua secretária Alice, por acaso neta do Vovô que não quer vender a casa.
A cena da visita da família rica à casa dos Sycamores é digna das chamadas screwball comedies da década de 1930, embora o filme não tenha vocação para a gargalhada, derivando para temas incrivelmente modernos como a ganância por mais e mais dinheiro, o empobrecimento da população (seria a Recessão de 2008/2009 um remake da Grande Depressão?), e até mesmo o medo do “perigo vermelho”, a ameaça comunista que tem frequentado as agendas eleitorais da América.
O desfecho do filme é um bom exemplo do que era chamado na época de Capra-corn, filmes que exaltam o que havia de melhor (e ainda há) na natureza humana: sensibilidade, gentileza, humildade e bom-humor.
Se entendermos que o gênero humano é regido pela ganância, egoísmo e desamor, fica fácil compreender como as soluções de Do Mundo Nada se Leva nos conduzem a momentos de puro enlevo e sonho. No momento em que Vanderhof convence o contador Poppins a deixar o banco e mudar-se para sua casa para fazer máscaras e brinquedos, este, ainda ressabiado, sentencia: “a sorte está lançada”.















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